domingo, 10 de outubro de 2021

Assassinatos em Whitechapel

 


Assassinatos em Whitechapel

Londres, 31 de Agosto de 1888

Vestiu as roupas do falecido marido e saiu pela madrugada.

Rose andou pelas ruas de Londres até chegar em Whitechapel. Percorreu as ruelas, o instinto guiando seus passos, parou em um beco perto de uma pensão. Não sabia se a reconheceria imediatamente, vira-a apenas de relance.

Percebeu que cambaleava, segurando pelas paredes, tentando não cair. Chamou-a e enquanto ela vinha em sua direção, hesitou por um minuto. Ainda poderia desistir.

— Venha cá, benzinho — a voz trôpega da moça varreu para longe qualquer dúvida.  — Sei do que você precisa para dormir bem.

Puxou-a para o beco e com dois cortes em sua garganta, viu a vida esvaindo com o sangue que manchou a calçada. Olhou para as janelas e portas do prédio em que se recostava e em nenhuma viu movimento. Sentiu a fúria dominar sua mão quando cortou seu abdômen várias vezes sem cuidado. Após alguns minutos a lucidez voltou e, controlando-se, deixou-a jogada no chão.

Voltou para seu lar e banhou-se. Estava satisfeita. Tinha se vingado daquela destruidora de lares. Nenhum casamento seria mais ameaçado por ela. Lavou as roupas e colocou-as para secar. Esvaziou a água vermelha da tina e deitou-se, dormindo em seguida.

Na tarde seguinte, indo ao verdureiro ouviu um burburinho.

— Bom dia, senhora Rose Wyllet. Soube do que houve nessa madrugada? — Indagou a esposa do vendedor, quando a viu.

— Bom dia Mary. Não soube ainda — respondeu enquanto pagava suas compras. — Por favor, diga-me o que pode ter acontecido que a deixou tão assustada assim?

— Um assassinato, a duas quadras daqui — cochichou a senhora, inclinando-se. — uma dessas moças de vida fácil. Mary Ann Nichols. Não sei se já a vistes por aí?

— Não tenho conhecimento dessas mulheres. Foi uma briga, decerto?

— Eu não sei dizer. Foram dois cortes na garganta e vários na barriga. Muita violência — benzeu-se a esposa do verdureiro. Era uma irlandesa e, portanto, católica, assim como Rose. — Pagou pelos pecados.

— Tenho certeza de que sim — despediu-se da amiga e voltou para o lar.

Remoeu a informação. Mary Ann fora a amante de seu marido. No dia de sua morte descobriu que ele a visitava duas vezes na semana nos últimos cinco anos. Fora ela quem destruíra suas ilusões de um casamento perfeito. Agora sentia-se vingada e o ódio se aplainou.

Durante uma semana a dor do luto consumiu Rose. Ia diariamente à missa e depois ao túmulo de Robert, o homem que jurou amar e respeitar há vinte anos e a quem dedicou devoção e toda juventude. Uma quinzena se passou desde que enviuvara e não sabia o que fazer de sua vida. Vivera para seu marido e a caridade. Naquele dia sentiu a raiva e o ódio borbulhando pelo sangue. Mais uma vez precisava extravasar.

Vestiu as calças do senhor Myllet e vagueou pelas ruelas. Estava cega pelo desejo de vingança que a morte de Mary Ann não saciou. Procurou o bordel mais próximo e enfiou-se em um beco ao lado. Esperou por duas horas até que uma moça aparecesse. Ela andava, lânguida, suas roupas sugeriam os prazeres que proporcionaria aos homens que a procurassem. Olhava para os cantos, à procura de algum potencial cliente. E avistou o rapaz recostado à esquina, um chapéu cobrindo o rosto. Caminhou ondulante até ele. A noite prometia.

Rose a viu e ajustou o chapéu. Ela vinha insinuante em sua direção. Deu dois passos para trás, deixando a sombra encobrir suas feições. Não havia hesitação, apenas a certeza de como agir. A rapariga seguia-a beco adentro. Deu mais alguns passos vagarosos, até ser alcançada por mãos salientes.

Quando a mão desta não encontrou o que procurava no meio das calças, Rose enfiou a lâmina do punhal em seu pescoço leitoso, fazendo borbulhar o líquido vermelho. O segundo corte veio para garantir que a vida iria embora. Deitou-a na calçada mal iluminada pelo lampião, e abriu a barriga da moça. Procurava por algo. Encontrou o útero, removeu, colocou em uma bolsa.

 Foi-se embora, flutuante. Com certeza agora sua vingança estava completa. Ao chegar no seu quarto, limpou-se e jogou fora todo resquício do seu ato da madrugada.

Após dois dias, ao perceber que Robert não voltava para casa, indignou-se. Foi procurar por ele na clínica onde atendia aos doentes.

— Senhora, o doutor Myllet faleceu há quinze dias — informou-lhe o antigo secretário do marido, olhando-a preocupado. —A senhora está bem? Quer se consultar com o novo médico?

Dispensando o oferecimento, dirigiu-se para o parque, sentou-se no banquinho, contemplando os patos que nadavam no lago. Suspirou, tentando desembaralhar a mente. Tinha esquecido que Robert falecera. Algumas vezes essa informação sumia da lembrança.

 

Três semanas se passaram, nas quais a sede de retaliação de Rose saciara-se. Ao fim deste tempo, porém, ao ver uma corista passar em sua frente com o marido de uma antiga paciente de seu esposo, sentiu ânsias vingativas fluindo por suas veias.

Desta vez teve mais sorte. Sem demora encontrou a outra pecadora, indo para um bordel. Atraiu a atenção dela com um assovio e gesticulou, chamando-a. A meretriz foi caçar o cliente que aparentava ter muito dinheiro. De longe Elizabeth Stride percebeu a fineza das roupas do moço, e,embora o achasse um pouco baixo, não estava em condições de rejeitar ninguém.

Rose, segurando o punhal atrás das costas, evitando a luz do lampião, esperou que a rapariga chegasse até ela. Célere, cortou duas vezes a garganta dela. No entanto, um barulho vindo da rua ao lado assustou-a. Ouviu vozes vindo em direção a elas. Largou o corpo e fugiu apressada pelo beco. Correu por duas ruelas, quase desistindo. Contudo deu em frente a uma outra casa onde poderia encontrar a próxima vítima. Escondeu-se na esquina e esperou. A sorte, que parecia tê-la abandonado, sorriu-lhe outra vez quando não precisou aguardar muito.

Catharine Eddowes saíra há pouco da casa de seu cliente mais fervoroso. Era carinhoso, mas não tão bom pagador. Andando pela rua, quase chegando na casa onde trabalhava. Imaginava como faria para pagar pela noite então avistou um rapaz bem-vestido recostado na esquina da casa. Ele acenou para a moça. Ótimo. Um cliente rico garantiria uma semana na pensão. Desviou da entrada e foi até o rapaz, sorridente, insinuando com os passos o prazer que lhe daria. Dobrou a esquina e procurou a carruagem que com certeza ele teria. Ao invés do veículo recebeu um corte profundo no pescoço. Quis gritar, mas apenas sangue saiu de sua boca, aos borbotões. O segundo corte apagou a luz de seus olhos.

Rose perfurou o rosto da moça algumas vezes, no auge da raiva. Cortou o abdômen e retirou o útero  e depois os rins. Descartou o corpo de qualquer jeito e fugiu apressada, carregando sua preciosa carga. Em casa fez o procedimento de limpeza de forma autônoma. Conservando os órgãos no álcool, deitou-se na cama. A certeza de estar purificando o mundo fez com que dormisse como um anjo.

Gordon Smith, o secretário do doutor Robert veio visitá-la no dia seguinte, pressuroso.

— Bom dia senhora — cumprimentou-a na porta.  — Como se sente hoje?

— Estou bem, senhor. Não o chamo para entrar pois moro sozinha e não é de bom tom um homem entrar na minha casa quando não tenho ninguém aqui.

— Tudo bem. Só estava preocupado devido ao seu estado naquele dia quando foi na clínica — ele examinava-a para ver se percebia sinal de insanidade nela, mas nada denunciava desequilíbrio. — Passarei aqui sempre que puder para te visitar.

— Agradeço a preocupação. Já me encontro conformada com o falecimento de meu esposo — dispensou-o e voltou para o planejamento da próxima expurgação.

 Demorou quase quarenta dias para ouvir a missão chamando. Esperou mais uma vez pela madrugada e saiu à caça.  Não vacilou. Foi até a casa de uma meretriz que era famosa nas ruas. Ela seria diferente, pois dormia em um quarto alugado e não precisaria arriscar-se pelas ruas. Mary Jane Kelly era irlandesa, sua compatriota, com apenas vinte e cinco anos.

— Mary Jane, sou a viúva do doutor Myllet. Posso entrar? — ela batia na porta da casa da moça em questão. Resolvera não fingir dessa vez.

— Olá senhora, como vai? Eu sinto muito pela sua perda.

Ao entrar, Rose iniciou sua missão, aproveitou enquanto a moça se virava para fechar a porta e usou o punhal na garganta dela. Sem se controlar, cortou até atingir o fundo. Jogou-a na cama e começou a trabalhar em seu rosto, com serenidade cortou cada pedaço do rosto e do peito.

Sem pressa e sem risco de ser interrompida, ela retirou cada órgão e espalhou pelo quarto. Retirou o coração e colocou num frasco com conservante. Não se interessou dessa vez em levar o útero. Tirou sua roupa com calma, jogou na bolsa e vestiu-se com outra limpa e saiu caminhando tranquila, fechando a porta atrás de si. O sol nascia naquele momento. Ela foi embora com toda a satisfação de ter atingido seu intento. Puniu mais uma pecadora com o castigo que merecia.

Chegou em sua casa e se acalmou. Benzeu-se com o terço e rezou com fervor, agradecendo pela bem sucedida missão. Marcou no calendário o dia importante. Estava realizada, a exultação durou um pouco mais de um mês. Naquele dia vinte de dezembro, pegou o jornal para ler. As mortes que provieram do castigo que impôs contra as hereges estavam espalhadas uma ao lado da outra. A foto de Mary Jane estava em destaque. Chamavam o expurgo de assassinatos e diziam que um tal de Jack, o estripador quem limpava o mundo das impuras. Riu-se da besteira. Somente uma mulher poderia purificar Londres das meretrizes que sujavam as ruas com o pecado. Os homens eram enganados pelas rameiras. Somente ela tinha recebido a santa missão. Ler aquelas notícias fez seu sangue ferver por castigar outra destruidora de lares. Sentiu que no Natal deveria ter mais uma ou duas raparigas castigadas. Vestiu-se com as vestes que pegara do quarto da cortesã. Não queria arriscar a pele pelas ruas outra vez. A experiência com a última tinha sido satisfatória e acreditava que seria melhor assim.

A madrugada veio saudá-la à espreita em uma das ruelas em Whitechapel. Passeou à procura de alguma moça que tivesse o próprio quarto. Em uma das voltas que deu avistou o quintal onde uma meretriz tinha acabado de entrar acompanhada. Esperaria o rapaz sair. Pulou a cerca, mas neste momento o lenço que usava no pescoço ficou preso na cerca e ela ficou pendurada sem conseguir soltar-se. Contorceu-se, sentiu que o ar faltava, os olhos pareciam querer sair de órbita. As vistas foram escurecendo e seu último pensamento foi Robert.

 



Fuga - Desafio de escrita



 Fuga


Lorde Donovan e seu servo caminhavam pela floresta em busca do jantar quando encontraram uma moça desacordada.

Vagner, pegue-a e traga para o castelo, será de grande utilidade para mim.

O servo atendeu o pedido, imaginando qual seria o propósito. No fundo sabia que não falaria uma palavra sobre o assunto.

Giuli despertou acorrentada em uma cama com dossel. A riqueza estava presente em cada detalhe do quarto ao seu redor. Era como se estivesse em um de seus sonhos.

Após uma severa discussão com o novo marido de sua mãe, a pobre garota fugiu. Correu o mais que podia para a floresta e acabou desmaiando de exaustão.

Não era a primeira vez que fugia, porém sempre retornava, já que não encontrava um lugar de acolhida. 

Talvez agora sua sorte tivesse mudado, quem sabe só estivesse presa por precaução. Afinal, quem com tanta riqueza confiaria em alguém como ela.

Um homem muito bem vestido adentrou o quarto.

Ainda bem que acordasse!! disse com tom exasperadoestás dormindo há dois dias e dessa forma não me serve pra nada!

Perdão senhor, não tive a intenção, a menina respondeu, fazendo menção de se levantar. 

Certo, você precisa comer e se recuperar bem. Assim pagará logo o que me deve.

Senhor, o que eu lhe devo? Sou muito pobre, não tenho como pagar.

Oras, me deve sua vida. E quanto ao pagamento, tenho mais dinheiro do que preciso e só de te ver sei como pagará.

Giuli sentiu calafrios, o olhar daquele homem sobre ela era o mesmo do padrasto. A repulsa invadiu seu corpo fazendo com ela machucasse os pulsos ao tentar se levantar.

A porta abriu-se novamente e dessa vez era uma pessoa coberta dos pés a cabeça, trazia uma bandeja nas mãos enluvadas.

Já era hora! a voz do lorde ficou um tom mais baixo quando se dirigiu para moça na cama. coma e se limpe, mais tarde venho receber meu saldo.

Somente os olhos eram vistos através das vestes do criado e neles continha uma boa dose de pena.

Os dias se passaram naquele terrível castelo e Giuli pagou seu débito das piores formas possíveis.

O lorde cobrava a dívida e seu servo cuidava dela, alimentava e fazia curativos para que ela suportasse o “trabalho”.

Mesmo com ele coberto os olhos se comunicavam e em algum momento eles começaram a trocar palavras.

Vagner, porque você nunca tira essa roupa? a curiosidade da menina estava impressa na voz.

Vagner não pode! Lorde Donovan matar Vagner.

Mas ele não saberá, vamos! Queria saber como você é antes de morrer.

Giuli não morrerá, Vagner não deixar o servo balançou as mãos nervosas enquanto repetia Vagner não deixar, Vagner não deixar.

Tudo bem, se acalme.

Embora a garota preferisse morrer, não queria magoar a única pessoa que realmente cuidou dela.

O senhor do castelo percebeu que havia algo acontecendo, não deixaria que seu subordinado desenvolvesse afeição por sua diversão.

Decidido, pegou uma adaga e dirigiu-se para o quarto do pagamento, como chamava. Cobraria a última parcela.

O que ele não sabia, é que Vagner já estava encantado pela menina e não deixaria nenhum mal maior acontecer.

Quando o seu senhor levantou o punhal para Giuli, o servo saiu de trás da cortina e atacou-o.

Donovan caiu para trás com o susto e a força de seu oponente, foi o tempo necessário para o lacaio quebrar as correntes e seguir para a porta com a moça.

Ela seguia na frente, segurando a mão dele, quando sentiu um solavanco indicando que ele parou. A ponta da adaga era visível através do coração do homem.

Giuli largar Vagner, Giuli fugir. disse ele em desespero.

Não, vamos Vagner, levante os olhos marejados da menina avistaram o lorde se arrastando em direção deles logo, ele não pode correr.

Vagner, não pode. Vagner morrerá as mãos dele estavam em seu coração banhadas de líquido vermelho.

Deixe-me vê-lo a garota colocou a mão para tirar o capuz.

Não, Vagner monstro, não!!!

Já era tarde, ela abaixou a mão junto com a cobertura, se não o conhecesse teria tomado o maior susto da vida.

Nesse momento, Lorde Donovan retirou a faca das costas do seu servo, que tombou aos pés da garota.

Vendo que não tinha opção, ela fez o que fazia de melhor e fugiu do verdadeiro monstro que habitava aquele castelo.


Desafio Nick


Escolha 1 das opções abaixo:


1 - Uma história sobre um assassino/a 


Condições: Não pode conter essas palavras e suas variações: 


Matar, morrer, sangue, sangrar, vísceras, vida, viver, faca, arma, assassino, assassinar.


2 - Um monstro/criatura


 Condições: tem que ser uma criatura indescritível.




domingo, 3 de outubro de 2021

O Bosque - Desafio de Escrita

 Esse texto é a resposta do Desafio de escrita que está no ar lá no Instagram do Clube dos 7.



Todos os dias eram assim. Rita seguia às seis da manhã para o emprego na confeitaria da Bel. Era uma confeiteira de mãos cheias, organizada, dedicada e muito prestativa.

Trabalhava quase o dia todo em pé, chegava em casa cuidava das tarefas, jantar e higiene dos filhos. Com eles já dormindo, limpava a casa, lavava as roupas e ainda estudava novas receitas.

Depois, passava com cuidado as camisas do marido que de manhã levaria as crianças para escola e seguiria para o seu trabalho, na portaria de um prédio próximo ao estabelecimento que ela trabalhava 

Todos no bairro tinham grande admiração por essa mulher, ela porém, todas as noites repetia a mesma frase:

Deveria quebrar uma perna para ter um pouco de descanso.

O seu trabalho ficava ao lado de um parque que tinha um denso bosque. As crianças jogavam bola o dia todo na parte de grama.

Rita em seus breves minutos de pausa, ficava admirando os pequenos com a sua vivacidade. Brincavam como se não houvesse amanhã, não se preocupavam com nada.

Naquele dia em específico, Rita foi despertada da sua observação com um grito.

Lucasssss não, de novo não. Porque você sempre perde a bola no bosque. quem gritava era um menino mirrado com ar nervosinho.

Calma, não precisa gritar, André. respondeu o garoto roliço que atendia por Lucas.

Não temos mais bola e nem mesada pra comprar outra e agora? replicou o pequeno menino, já com lágrimas brotando de seus olhos.

Rita não se conteve, quando viu já estava próxima dos jogadores.

Querem que eu entre e busque a bola? questionou com tom apaziguador.

Tia, não pode. Esse bosque é esquisito e perigoso. Lucas falou assustado.

Não liga pra ele tia, nossas mães que nos proibiram de entrar lá, mas eu ficaria agradecido o menino menor disse, secando o rosto com as costas da mão e dando uma piscadinha.

A confeiteira adentrou o lugar em busca da bola. Apesar de ser um bosque dentro de um parque e no centro da cidade, suas árvores eram tão densas que poucos raios de sol conseguiam penetrá-las, isso causou um calafrio na mulher.

Seguiu firme em direção ao seu propósito de encontrar a bola, não deixaria as crianças tristes. Andou por vários minutos e estranhou quando sentiu a tarde cair, não era possível que estivesse tanto tempo à procura do objeto.

A mulher decidiu voltar, porém não encontrou a saída em meio às árvores, a noite caiu e ela ficou com medo. Não adiantaria tentar achar a saída no escuro, em seu íntimo torceu para que alguém viesse lhe procurar.

Tateou as árvores em busca de abrigo, encontrou uma que tinha a cavidade exata para o seu tamanho e entrou. 

Rita sentiu que o ar que lhe faltava, relaxou seu corpo esperando o descanso sonhado e dormiu.

Ao acordar, respirou aliviada, já era dia novamente. saiu do tronco da árvore, e com a luz da aurora identificou a bola, um pouco murcha, porém ainda intacta. Talvez tivesse furado, nada que um remendo não ajudasse. 

Seguiu a luz do sol, a sensação pelo corpo era estranha. Esperava que as crianças tivessem retornado com o amanhecer.

Desta vez conseguiu localizar a saída, e saindo, percebeu que estava do lado errado, tinha saído do lado próximo ao prédio em que o marido trabalhava. 

Um senhor muito idoso veio correndo em sua direção.

Não é possível, Rita? perguntou o homem com olhos marejados e caindo de joelhos em sua frente.

Sim, sou eu. Te conheço? ela dizia já segurando o homem pelos cotovelos para que ele se levantasse.

Rita, sou eu Jorge. Seu marido. a tensão nessas palavras fizeram a mulher acreditar.

Ficaram os dois no silêncio causado pelo choque, ele então, apontou um banco para que se sentassem.

Achei que tivesse morrido o esposo prosseguiu  faz 35 anos hoje, que você adentrou o bosque e nunca mais foi vista. Nossos filhos seguiram a vida, eu que fiquei sempre com a esperança de te rever. 

Mas como assim? Ninguém foi me procurar? a confeiteira recobrara as palavras.

Somente eu e um oficial tivemos coragem de entrar. Mesmo assim não vimos nada, depois de uma semana fomos proibidos de retornar. 

Rita ficou de pé, deu um beijo no esposo e caminhou para o lado da sua casa.

Espere, aonde você vai? 

Viver, eu já descansei demais…



Assassinatos em Whitechapel

  Assassinatos em Whitechapel Londres, 31 de Agosto de 1888 Vestiu as roupas do falecido marido e saiu pela madrugada. Rose andou pelas ruas...